Maverick
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Paixão em família: conheça a história de amor entre os Said e o Maverick

Na década de 1970, o então restrito mercado brasileiro de automóveis contava com poucos modelos e o Volkswagen Fusca reinava quase absoluto nas ruas com seu motor robusto e econômico, mas pouco potente. Esse era o referencial que a maioria da população tinha de um bom carro: compacto e tímido ao toque do acelerador. Mas havia por aqui alguns charmosos representantes dos carrões americanos de motor grande, que agradavam quem buscava mais espaço, conforto e desempenho. Entre eles estava o Ford Maverick.

Desenvolvido em um projeto que teve como referências o lendário Mustang e o Falcon (ambos os modelos também da Ford), o Maverick trazia para o mercado brasileiro um pouco do glamour do universo sobre rodas norte-americano. Sua carroceria grande e alta possibilitava um habitáculo espaçoso e um porta-malas que, em relação à maioria dos modelos concorrentes da época, poderia ser considerado um luxo.

Além disso, oferecia três opções de motores, com 4, 6 ou 8 cilindros. O primeiro era para quem queria priorizar o consumo menor. Já os últimos se adequavam melhor aos aficionados por potência e velocidade. Vale ressaltar, no entanto, que mesmo as versões com os motores “menores” tinham desempenho muito bom, se comparadas com automóveis de outras marcas que tínhamos nas ruas, na década de 1970.

Todas essas características do Maverick chamaram a atenção do securitário (corretor de seguros) Jorge Ibraim Said que, em 1973, comprou o seu primeiro modelo. Ele lembra bem os motivos que o levaram a sempre optar pelo carro. “Gostei do desenho, da potência do motor e da sensação de segurança que ele passava pela estabilidade”.

Falando em design glamouroso, Jorge lembra que seu terceiro Maverick, comprado zero km em 1977, foi de uma versão LDO com motor 4 cilindros com generosos frisos – componentes de decoração que eram legítimos representantes da exuberância do mercado de automóveis dos Estados Unidos. Esse carro, vale ressaltar, está na família até hoje.

O securitário destaca que o carro, na época, era o ideal para transportar a sua família de quatro filhos – todos de estatura generosa, como os pais. Ao longo dos anos foram inúmeros passeios, viagens, com toda a família, sempre a bordo do modelo, que nunca decepcionou no quesito confiabilidade. Surgia, então, uma relação de amor da família com o carro que contagiaria mais alguns de seus integrantes. Depois do pai, o filho mais velho, Iunis, foi o primeiro a adquirir outro exemplar, anos mais tarde, depois de terminar seus estudos no Rio de Janeiro.

Iunis afirma que, durante muito tempo, o Maverick foi seu carro para uso no dia-a-dia no Rio de Janeiro, onde morou. Com o aumento da violência e dos problemas de trânsito na cidade, no entanto, ele optou por deixar o veículo na garagem e usar um modelo mais discreto. “Nos últimos anos, o Maverick tem se tornado um carro que chama muito a atenção”, explica. Isso, no entanto, não impediu a continuidade do “contágio” familiar: depois de vários pedidos, ele também comprou um automóvel da mesma marca para sua esposa. Hoje, cada um tem uma versão do carro (ele, um GT 1978, e ela, um Super Luxo 1975). Ambos os modelos são equipados com motor V8.

As três unidades do Maverick já citadas se juntam à do filho caçula, Eizon, proprietário de um modelo idêntico ao do pai. Perfeccionista, ele tem o carro que é, de longe, o mais bem cuidado e mais protegido – tanto que só roda com o veículo se não houver o menor risco de chuva. Já Iunis discorda e garante: “carro antigo tem que rodar, senão estraga”.

Garimpagem de motores e peças para o Maverick

Como é possível restaurar e cuidar de carros cuja produção foi encerrada há mais de 30 anos? A família Said, ao longo dos anos, desenvolveu o próprio know-how e ensina: basta ter paciência para procurar peças em ferros velhos, em algumas oficinas mais antigas e, graças às facilidades do mundo digital, buscar na Internet, no Brasil ou fora dele, o que não pôde ser encontrado na própria cidade. Além disso tudo, ajuda ter um pouco de sorte, jogo de cintura, vontade de meter a mão na graxa e conhecimento técnico para reconhecer uma boa oportunidade de compra ou para fazer algumas adaptações, quando necessárias.

O ar condicionado, por exemplo, não era um item muito presente nos carros brasileiros da década de 1970, mas Iunis colocou equipamentos universais nos dois veículos que tem em casa para poder enfrentar o calor do Rio de Janeiro. Ele também adaptou direções hidráulicas mais modernas nos carros, para facilitar as manobras do dia-a-dia e, no caso do carro da esposa, uma transmissão automática de três marchas, que era usada nos Mavericks de versões mais luxuosas.

Já Eizon, que faz o possível para embelezar o carro sem alterar muito sua originalidade, costuma recorrer a conhecimentos adquiridos após anos mexendo nos carros. Ele é capaz de desmontar boa parte do veículo e, com isso, altera as peças para deixa-las do jeito que deseja.

Como boa parte dos parafusos, por exemplo, que retirou e mandou restaurar deixando com a aparência de novos. O zelo desmedido já levou até a situações folclóricas. “Na restauração do meu Maverick, passei do prazo acertado com o dono da oficina para a conclusão dos detalhes finais, chegando ao ponto de receber um ultimato para tirar o carro”, diz.

Diante de todo esse esforço, cabe perguntar: quanto foi gasto em cada modelo, e vale a pena esse investimento? A resposta para a primeira pergunta, nenhum integrante da família Said sabe responder. Já em relação à segunda, as opiniões são unânimes para falar para afirmar que a durabilidade do motor, o conforto em dirigir e a robustez do modelo, como um todo, fizeram tudo valer a pena. O prazer de restaurar, personalizar, manter e utilizar um veículo antigo, que traz tantas recordações de família, para eles, é único. “Dirigir um Maverick é andar em um carro de verdade”, resume Iunis.

Movida pela paixão, a família não para as atividades com os carros. Seja em simples passeios por Fortaleza ou em encontros organizados por antigomobilistas em outras cidades, os modelos estão sempre rodando. As pausas só acontecem para alguma manutenção ou colocação de novos componentes para melhorar ainda mais o desempenho dos motores. Como a facilidade da internet permite comprar peças de qualquer parte do mundo, a coisa vai longe e não tem data para acabar. Como lembra Iunis, com uma frase que sua mãe sempre diz, o apego pelo Maverick virou um “problema genético”.

Veja galeria de fotos

 

Veja dois Mavericks da família

 

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