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Carros compartilhados em Fortaleza: veja como usar o serviço

Não só no Brasil, mas em todo o mundo, a discussão em torno do universo automotivo não fala mais só de carros particulares e ônibus de transporte coletivo. Este tema ampliou-se para uma questão chamada mobilidade, que envolve esses dois tipos de veículos, mas inclui questões como Uber e outros aplicativos similares, compartilhamento de veículos, redução de poluentes e integração com outros modais – como bicicleta, por exemplo. Em resumo, a forma como as pessoas estão lidando com os veículos está mudando: elas estão, cada vez mais, deixando de vê-los como propriedades e passando a querer usá-los apenas como instrumentos de mobilidade.

Diante disso, Auto Blog Ceará foi procurar informações sobre uma iniciativa que vai ao encontro desta tendência: o serviço Veículos Alternativos para Mobilidade (Vamo), lançado pela Prefeitura de Fortaleza em 2016 e que completará, em setembro, dois anos de funcionamento. De acordo com a administração municipal, ele gerou, desde o início das operações até junho último, 2.860 viagens. Além disso, o número de usuários ativos subiu, no mesmo período, de 396 para 523 – um índice de mais de 30%.

Este, no entanto, é um total ainda pouco expressivo diante de um universo de veículos registrados na cidade, que é hoje é de mais de 800 mil veículos, segundo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Ou seja, há muito a crescer.

Renan Monteiro, assessor técnico da Prefeitura de Fortaleza e um dos responsáveis pelo acompanhamento do Vamo, afirma que a maioria dos usuários não tem nenhum veículo e mora mais afastado do Centro – ou seja, são pessoas que estão tentando fugir do desconforto do ônibus, do alto custo do taxi e da insegurança do mototáxi e procuram uma alternativa mais barata que o Uber, o 99 e aplicativos similares.

Em relação aos aplicativos, Renan garante que o Vamo é mais vantajoso para estes usuários. Pela tabela do serviço, dá para entender porque isso acontece. Em um trajeto imaginado entre a Igreja Matriz de Parangaba e a Praça Luiza Távora, no bairro Aldeota (percorrido de carro em 28 minutos, segundo o Google Maps), o valor no aplicativo 99, que é mais barato que o Uber, seria de mais de 24 reais. Pelo Vamo, sairia por R$ 15. Se a distância for curta, no entanto, os aplicativos ganham do serviço da Prefeitura. Esta característica do sistema se reflete no tempo médio de uso, que é de 130 minutos, de acordo com a Prefeitura.  

Para o professor Leonel Oliveira, usuário eventual do Vamo desde o início das operações do serviço, o principal motivo para isso é que nele o pagamento é com base no tempo e não na distância percorrida. “Sei que seria bem mais vantajoso se usasse diariamente para o meu deslocamento trabalho-casa, pois levo de 25 a 30 minutos”, afirma ele, que torce para que cresça o número de estações disponíveis. Outra vantagem que Leonel vê no serviço é em relação ao estacionamento, já que os veículos podem parar nas vagas da Zona Azul sem custo nenhum.

 

Leonel Oliveira em um dos carros compartilhados

“Vou de carro para o trabalho e ele fica das 9 às 18 horas parado no estacionamento. Dá uma sensação de não aproveitamento dele. Se tivesse uma estação minimamente perto, com certeza mudaria meu hábito para ser um usuário regular”, ressalta Leonel.

Atualmente, o Vamo tem 12 estações ativas – 7 a mais do que o número que o serviço tinha no início das operações, há dois anos. A presença delas é essencial para conquistar os usuários – especialmente os de classe média que têm carro e não querem andar muito, já que é preciso retirar e entregar o veículo compartilhado em uma delas. De acordo com Renan, como o serviço foi projetado para funcionar com um patrocínio, para não gerar custo para a Prefeitura de Fortaleza, qualquer expansão depende do interesse da atual empresa apoiadora, que é o plano de saúde Hap Vida, ou de outros representantes do setor privado que venham a se tornar financiadores do projeto.

“No momento,  a busca é para aumentar o uso das estações, para a circulação dos carros ficar mais balanceada. Alcançando isso, fica mais fácil expandir”, afirma ele. A explicação é simples: se algumas estações têm retirada constante de carros e não os recebem de volta com a mesma frequência, o sistema irá precisar devolvê-los, aumentando os custos para a empresa patrocinadora.

Para quem mora perto das estações, a facilidade faz toda a diferença. A jornalista Ana Alice Nogueira,  tem uma estação ao lado da sua casa. E por isso usa o Vamo semanalmente, como parte da sua rotina de mobilidade, que inclui ainda bicicleta, ônibus e carros de aplicativos. A comodidade proporcionada pelo Vamo, inclusive, a ajudou a manter uma decisão mais radical, que tomou há quase dois anos: não ter mais carro. “Posso dizer que o serviço é quase perfeito, tem um valor acessível, que é metade do que tinha quando começou, os carros são fáceis de dirigir e o tamanho deles ajuda bastante. O que tenho como observação é a pouca quantidade de estação para você transitar na cidade e a burocracia do cadastro”, afirma.

Ana Alice faz um tipo de uso dos carros compartilhados que se adequa bem à proposta do serviço, que é pegar o carro para resolver várias pendências juntas, aproveitando que a cobrança é por tempo e não por quilometragem. “Existem trajetos que ficam aproximadamente 50% mais em conta que os valores cobrados por aplicativos de transporte. Por isso, dependendo do tempo, eu opto pelo Vamo”, afirma ela.

Sobre as exigências para o cadastro, Renan explica que há uma preocupação maior com segurança. Além disso, com os veículos são elétricos, a forma de condução é um pouco diferente daquela à qual a maioria dos motoristas locais está acostumada. Os carros não têm marcha para passar e o motorista praticamente não ouve barulho do motor trabalhando. Por isso, o acesso ao serviço envolve a exigência de um test-drive para o interessado.

Saiba mais sobre os carros compartilhados

Como é administrado o serviço?

O Vamo tem funcionamento similar ao do Bicicletar: é acompanhado pela Prefeitura, mas seu gerenciamento é feito por uma empresa privada (no caso, a pernambucana Serttel, especializada em soluções para gerenciamento de trânsito, segurança e mobilidade urbana) com o apoio financeiro de um patrocinador (o plano de saúde Hap Vida).

Como posso fazer o cadastro?

No endereço www.mobilicidade.com.br/carroeletricofortaleza/cadastro/index.aspx. Além da carteira de motorista, o futuro condutor precisa apresentar comprovante de residência  e fatura de cartão do crédito usado na compra do passe, com data de emissão de até 90 dias. Também é exigido um test-drive com um dos veículos do serviço, que é agendado depois do cadastro.

Quanto custa o serviço?

O usuário paga uma taxa no mês em que for usar o carro. Ela é de 20 reais, que se convertem automaticamente em créditos para uso. O valor a ser pago obedece a uma tabela regressiva, na qual quanto mais tempo o usuário fica com o carro, menor é a tarifa. Veja os valores:

Até 30 minutos R$ 15,00

31 a 60 minutos R$ 20,00

61 a 120 minutos R$ 30,00

121 a 180 minutos R$ 35,00

181 minutos a 300 minutos R$ 35,00 + R$ 0,30 por cada minuto adicional

mais de 300 minutos R$ 35,00 + R$ 0,50 por cada minuto adicional

Que carros estão disponíveis?

São dois modelos da marca chinesa BYD. Um ultracompacto de dois lugares e uma minivan, com quatro lugares e bagageiro generoso. Ambos são 100% elétricos. Com carga completa, o compacto tem autonomia de aproximadamente 120 km e o grande roda o dobro da distância. Este número, no entanto, depende da forma de condução. Os veículos são equipados com ar condicionado e som e têm velocidade controlada eletronicamente: não passam de 60 km por hora.

Como o carro é liberado e devolvido nas estações?

O funcionamento é parecido com o do Bicicletar, através de um aplicativo no smartphone. Com o acesso, o usuário destrava as portas dos veículos.

É possível passar mais de um dia ou viajar com o carro?

Sim. A única limitação se deve à autonomia. Os carros só recebem carga nas estações, porque precisam de tomadas especiais para fazer a conexão na eletricidade.

Em caso de acidente ou roubo, há cobertura de seguro?

Sim. O usuário, no entanto, terá de pagar uma franquia R$ 2.500,00, caso seja comprovada sua culpa no incidente.

Em caso de multa de trânsito, o que acontece?

Além do valor da infração, o usuário paga um adicional de 20% de “taxa de serviço”

Onde ficam as estações?

Segue a lista:

Estação 1 – Igreja de Nazaré (Rua André Chaves, 177 – Montese – em frente à Igreja de Nazaré)

Estação 2 – North Shopping (Rua Moreira de Souza, 58 – Parquelândia – ao lado do Banco do Brasil)

Estação 3 – Praça Luiza Távora (Av. Santos Dumont, oposto ao número 1546 – Aldeota)

Estação 4 – Center Um (Rua Barbosa de Freitas, 1100 – Aldeota)

Estação 5 – Iguatemi (Av. Washington Soares, s/n – Edson Queiroz)

Estação 6 – Praça Martins Dourado (Rua Bento Albuquerque, s/n – Cocó)

Estação 7 – Praça da Imprensa (Rua Visconde de Mauá, s/n – Dionísio Torres)

Estação 8 – Praça Antônio Prudente (Av. Historiador Raimundo Girão, s/n – Meireles)

Estação 9 – Igreja de Fátima (Av. Deputado Oswaldo Studart, s/n – Fátima)

Estação 10 – Unifor (Av. Dr. Valmir Pontes, esquina com Av. Washington Soares – Edson Queiroz)

Estação 11 – Igreja Matriz da Parangaba (Rua Sete de Setembro, 217 – Parangaba)

Estação 12 – North Shopping Jóquei (Av. Lineu Machado, 419 – Jóquei Clube)

 

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